quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Estranha Forma De Vida


Isildiae pegadus

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Stonewall

"Stonewall (também) fomos nós!
Junho é o mês das marchas Pride, por excelência. Um pouco por todo o lado concretizam-se, umas autorizadas pelas autoridades vigentes, outras nem tanto, umas sem muito alarido pelos detractores dos direitos LGBT, outras provocando mesmo contra-marchas e/ou manifestações policiais antagónicas.

É o mês em que muito se fala de Stonewall, e do que lá se passou em 1968.

E afinal, que se passou no bar "Stonewall Inn" há 40 anos? Considerado por muitas pessoas o início das reivindicações dos direitos das pessoas homossexuais, foram três dias de tumultos e manifestações contra a perseguição e abuso por parte das forças policiais contra a população Gay. Claro que a revolta de Stonewall não foi, nem nunca poderá ser considerada como o despoletar de todo um movimento que alastrou a todo o mundo. Infelizmente, e apesar dos inúmeros autores que afirmem que sim, Stonewall não passou de uma continuação da revolta de Compton´s Cafeteria, ocorrida dois anos antes. Tal como a ridícula insistência que Thomas Beatie é o primeiro homem transexual grávido, também Stonewall não foi a primeira tentativa de dar resposta à repressão existente na época nos EUA.

Sobre a revolta de Compton's Cafeteria, protagonizada maioritariamente pela população T já escrevi um breve post em Outubro de 2007, que quem quiser pode rever clicando AQUI. Falemos agora um pouco sobre os acontecimentos de Stonewall e da importante presença e liderança T nestes acontecimentos.

De notar que tudo aconteceu em 1968, e nesta época não se falava muito de transexualidade e transgenderismo. O comum nesta época era falar-se no máximo em travestismo, logo era tudo gay.

O bar Stonewall Inn, conotado com os lados mais obscuros da sociedade e supostamente controlado pela máfia, era frequentado principalmente por gays afro-americanos e hispânicos, sendo que muitas das pessoas lá presentes eram travestis (transgéneros).

Por causa das supostas ligações à máfia, era alvo regular de rusgas, sempre nos mesmos moldes e por volta das mesmas horas. A 28 de Junho, no entanto, uma rusga inesperada aconteceu no Inn. Por volta da uma e vinte da manhã, oito polícias entraram no bar com um mandato de busca válido para procurar bebidas alcoólicas ilegais. Dos oito polícias apenas um se encontrava fardado. Começaram a questionar os clientes e a muitos deles pediram a identificação. Muitos foram acompanhados para fora do bar, e alguns foram mesmo detidos. A multidão que tinha sido levada para fora pela polícia, começou a ficar inquieta e mesmo zangada, acabando por iniciar tumultos fora do Inn. Enquanto a polícia enchia as carrinhas com os detidos, a multidão respondia com impropérios, até que eventualmente irrompeu a violência.

A activista trans Sylvia Rivera afirma que liderou o ataque. Atiraram-se garrafas à polícia, chegando-se mesmo a usar parquímetros como armas. Dave van Ronk, um cantor de música folk que passava por ali foi agarrado pela polícia, arrastado para dentro do bar e agredido. A revolta estava imparável. Depressa a notícia do que acontecia se espalhou pelas imediações, e muitos residentes e frequentadores de outros bares da área convergiram ao local. Quando a polícia se refugiou dentro do bar, a multidão bloqueou as entradas e tentaram pegar-lhe fogo.

Os protestos eram tão fortes que, de cada vez que a polícia dispersava a multidão, uma nova massa de pessoas formava-se nas suas costas, impedindo-os de acabarem com a revolta. Durante os vários dias de tumultos, a multidão de cerca de 400 pessoas continuou a lançar garrafas e pedras e a atear incêndios nas imediações do Inn. As tentativas frustadas da polícia para capturar os revoltosos esbarravam na rapidez dos manifestantes. Se fossem apanhados, seriam agredidos e imobilizados no chão. Começou-se a gritar "Gay power" e alguns activistas travestis começaram a cantar:

We are the Stonewall Girls
We wear our hair in curls
We wear no underwear
We show our pubic hair
We wear our dungarees
Above our nelly knees

Pela noite dentro, a polícia foi conseguindo isolar muitos transgéneros e pessoas não-conformistas de género, incluindo mulheres "masculinas" e homens "efeminados", geralmente agredindo-os. Na primeira noite foram detidas 13 pessoas e quatro polícias, bem como um número indeterminado de manifestantes sofreram ferimentos. Sabe-se que pelo menos dois manifestantes foram severamente agredidos pela polícia. A multidão agora estimada em cerca de 2000 pessoas defrontou 400 polícias.

As forças de segurança acabaram por ter de convocar forças adicionais, a Tactical Patrol Force, um esquadrão anti-motim originalmente treinado para lidar com manifestantes anti-guerra do Vietnam. Esta força tentou dispersar a multidão, que lhes mandou com uma chuva de pedras e outros projécteis, não conseguindo quebrar a concentração.

Eventualmente as coisas foram acalmando, mas a multidão regressou outra vez na noite seguinte. Embora menos violenta que a primeira noite, a multidão tinha a mesma energia da noite anterior. Escaramuças entre a polícia e a multidão foram-se sucedendo até por volta das quatro da manhã. O terceiro dia de tumultos sucedeu cinco dias depois da rusga ao Stonewall Inn. Nesse dia cerca de mil pessoas concentraram-se no bar e mais uma vez provocaram extensos danos.

Como se pode observar, a presença T nesta segunda revolta foi tão importante, pelo menos, como na primeira revolta, dois anos antes. Além da já referida Sylvia Guerrero, estiveram presentes, entre outras pessoas T, Marsha P. Johnson e Miss Majors, figuras de relevo na luta pelos direitos LGBT nos EUA.

É sem surpresa, no entanto, que se vê uma tentativa pela comunidade LG de minimizar e/ou silenciar o importantíssimo papel que a comunidade T teve ao protagonizar duas revoltas que ficaram para a história da luta pelos dieitos LGBT e que despoletaram por todo o mundo uma consciencialização e um activismo. No entanto Stonewall é conhecido como uma revolta gay.

No New England Trans Pride, uma Marcha que celebra o orgulho trans e que teve o seu nascimento este ano, não terá sido por acaso que o seu lema foi: "Remember Stonewall? That was us!" (Lembram-se de Stonewall? Fomos nós!) e onde foi relembrada a crítica participação da comunidade trans.

Não se pode deixar que outros, especialmente as comunidades L e G, eliminem a importante e histórica participação que a comunidade transgénero deu e dá, todos os dias, na luta pelos direitos LGBT. Muitas vezes com o custo da própria vida.

As Marchas pride celebram as revoltas de Compton's Cafeteia e de Stonewall, embora somente se fale nesta última. Mas que a comunidade T nunca se esqueça e se orgulhe de que estas revoltas contaram com a participação fulcral de muita gente T.

Stonewall (também) fomos nós!"

Texto publicado no PortugalGay

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Verdade Absoluta

Os dias de merda normalmente coincidem com uma segunda feira...

sábado, 30 de janeiro de 2010

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Esta...

...é só para TI

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Uganda rows back on draconian anti-gay law after western outrage

Xan Rice in Nairobi - The Guardian, Thursday 14 January 2010

• Museveni says bill is now a 'foreign policy issue'
• HIV positive people faced death penalty for gay sex

Uganda has indicated it will bow to international pressure and amend draconian anti-homosexual legislation that includes the death penalty for HIV-positive people convicted of having gay sex.

Breaking his silence on the controversial bill – which was put forward by a member of the ruling party – Uganda's president, Yoweri Museveni, said it had become a "foreign policy issue" and needed further consultation before being voted on in parliament.

The proposed law, which has been pushed by local evangelical preachers and vocally supported by senior government officials, also threatens life imprisonment for anyone convicted of gay sex.

While broadly supported domestically, the legislation has caused a storm of protest abroad and consternation from western donors who fund a large chunk of Uganda's budget.

Addressing a party conference, Museveni said numerous western leaders had spoken to him about the bill.

"When I was at the Commonwealth conference, what was [the Canadian prime minister, Stephen Harper] talking about? The gays. UK prime minister Gordon Brown ... what was he talking about? The gays," said Museveni.

The US secretary of state, Hillary Clinton, had also called him to express strong concerns about the proposed law, he said. "It's a foreign policy issue, and we must handle it in a way that does not compromise our principles but also takes into account our foreign policy interests."

Museveni said the proposed law did not necessarily reflect party or government policy and his cabinet would discuss the bill with David Bahati, the MP who introduced it, before it was put to a vote.

Homosexuality is already outlawed in Uganda under colonial-era legislation. Such is the stigma attached to gay people that no public figure has ever come out. But in recent years some religious leaders have been warning that tougher measures are needed to prevent an increase in same-sex relationships.

Accusations that gay Europeans are offering money to "recruit" Ugandan schoolchildren – a claim repeated by Museveni during his party speech on Tuesday – also seem to have raised the level of homophobia in the country.

The final impetus for the proposed legislation came after a conference hosted last year by three controversial US evangelists who claimed that homosexuality was a curable habit and warned of the danger of the international gay "agenda". The evangelists have since, however, criticised the severity of the punishments in the proposed law.

Under Bahati's bill, "serial offenders" would join HIV-positive people and those who have sex with under-18s in facing the death penalty if convicted of gay sex. Life imprisonment would apply to those found guilty even of touching someone from the same sex "with the intention of committing the act of homosexuality".

Members of the public would have to report any homosexual activity to police within 24 hours or face up to three years in jail, a provision the bill's opponents say would lead to a witchhunt.

Ugandans living abroad who broke the law could be extradited and punished, under the draft bill.

Before the legislation was introduced to parliament in September, local gay support organisations, whose members already face harassment, threats and workplace intimidation, have been lobbying the government to amend the country's HIV awareness and prevention programmes, which currently exclude homosexuals. But instead of achieving their aims these gay groups would be banned under the new law.

James Nsaba Buturo, minister of state for ethics and integrity, who is a strong supporter of the bill, said before Museveni's speech that it was likely that the death penalty provisions would be dropped because of the international outcry.

But Frank Mugisha, chair of Sexual Minorities Uganda, a Kampala-based coalition of lesbian, gay, bisexual, transgender and intersex groups, said that even if this happened the bill would have "a lot of discrimination in it.

"He [Museveni] seems to be saying that the law should be watered down due to foreign interests. But he should rather be talking about the interests of minorities in Uganda. He should come out and say that the entire bill is just wasting time."

http://www.guardian.co.uk/world/2010/jan/14/uganda-backpedals-on-gay-law